30 de outubro de 2009

Dona Fernanda,

Venho por este meio contacta-la, visto a senhora não possuir o tarifário extravaganza ou extreme, evitando assim desperdícios desnecessários de dinheiro (que já não é muito depois de pagar os 255€ euros de renda que me cobra).
Mas não é do valor da renda que lhe quero falar. Como deve saber têm existido problemas de convivência na Vila S.José, no entanto há alguns dos quais a senhoria não teve o (des)prazer de ter conhecimento. Considero que seja normal que ocorreram problemas com a loiça e o barulho quando se mora com muita gente (e a maioria caloiros), mas existem limites e tem de existir o mínimo respeito. Queria, portanto, expor lhe os acontecimentos para que possa tomar uma posição mais eficaz que os inúmeros "avisos" que nos tem deixado, praticamente todos os dias, na bancada da cozinha.
Umas das normas de viver em sociedade, - foi assim que lhes chamou -, que nos impôs foi a de não estarmos autorizados a fazer jantaradas sem a informar-mos e tendo a consequente permissão. Não é o que se passa. Não estou a dizer que me incomoda que façam jantares, até considero bastante agradável e vantajoso na medida que nos é possibilitado conhecer outras pessoas. Apenas existe um inquilino que não consegue concretizar as ditas jantaradas de forma a serem agradáveis para todos os moradores. Isto nota-se na loiça que fica por lavar, na barulheira que ficam a fazer até as tantas depois de já terem abusado da cerveja e nas pessoas que levam lá para casa. Vou passar a expor-lhe a situação em concreto. Num dia, que já não sei ao certo qual mas foi durante o fim-de-semana da Latada, o Renato levou os seus amigos a jantar lá a casa. Até aqui tudo bem. A negatividade da situação reside no momento em que chegaram da Latada e alguns dos amigos do Renato (penso eu) vinham acompanhados de raparigas. A Catarina foi encontrar uma rapariga deitada em cima da mesa, na qual tomamos as nossas refeições, com as cuecas puxadas para o lado e um rapaz em cima dela a marturba-la. Ao lado estava um rapaz sentado no banco com outra rapariga ao colo enquando outros dois rapazes jogavam SingStar na Playstation (que por acaso é minha e usaram sem autorização). Nessa noite também se lembraram de ir comer o MEU salame, a MINHA gelatina, o MEU pão e a minha esfregona e líquido da loiça continuam em parte incerta. Também tenho conhecimento que faltam coisas a outros residentes, nomeadamente ao João.
Como se isto já não fosse suficientemente grave, quando acordei no dia seguinte deparei-me com a parede e tecto do corredor, logo ao lado da minha porta, literalmente suja com fezes humanas (facto confirmado mais tarde pelo autor, o Renato). O que se passou, e pela descrição do próprio, foi que, e devido à picardia "saudável" constante entre o Renato e o Peter, o primeiro decidiu defecar mesmo em frente à porta do segundo como forma de protesto por este lhe ter feito algo a uma camisola. O Peter levantou-se durante a noite e sem querer pisou a "surpresa" do Renato. Depois disto houve uma confusão com um piaçaba que fez com que as fezes fossem parar à parede e tecto do corredor, e pelos vistos também ao plasma do quarto do Renato. Este acordou com o piaçaba na mão, mas isso é algo que não consegui compreender ainda o porquê.
Como pode confirmar depois de tudo o que lhe contei, isto foi tudo uma grande falta de respeito para com os restantes residentes da Vila S.José. O Renato nem sequer teve a decência de se dirigir à minha pessoa com um pedido de desculpas pelo sucedido. Estou neste momento a ponderar mudar de casa pois não quero nem tenciono viver em tal ambiente durante os quatro anos do meu curso. Tenho também a informação que não sou a única a ponderar essa hipótese. Visto isto agradecia-lhe que tomasse medidas mais visíveis que os seus recados e regras de vivência em comunidade afixadas no frigorífico.

Sem mais assunto,
Milene Silva

P.S: Agradecia-lhe que apressasse as obras no andar debaixo pois gostaria ter uma noite em que não acordasse ás 9 da manhã com o barulho dos berbequins dos pedreiros.

4 comentários:

Marttokas disse...

Finalmente percebi a história do cócó. :S isso é deboche demais para mim, o q o alcool faz... Ainda bem q não de passou nada disso enquanto eu estive ai :S

mileneandreia disse...

Deboche? Que linguagem é essa? xD Foi o meu irmão que descobriu a merda na parede, tiveste sorte, podias ter sido tu xD

Marttokas disse...

1. deboche

s. m.,
vida dissoluta;
devassidão;
libertinagem;


Ela leva uma vida de deboche.

Tens de me arranjar uns fados de coimbra

Alex disse...

Aí o meu SALAME!!! (AHAH)

Também gostei do contrás-te dum lado a cena em cima da mesa e do outro lado a jogarem singstar.

Felizmente ainda não se meteram nas drogas duras... porque senão o nivel de degredo subiria exponencialmente, aconselho-te a fazer um belo churrasco de caloiro mal comportado, nem é preciso querosene, num estado de bebedeira tal que sejam purificados no seu próprio alcool, ou não...